O FUTURO DA LINGUA PORTUGUESA

setembro 2, 2008

Grafia alterada utilizada por adolescentes pode comprometer futuro da Língua Portuguesa

* * * Por Helena de Sousa Freitas, da agência Lusa * * *

Lisboa, 30 Jul (Lusa) – Um Acordo Ortográfico, por mais imaginativo que fosse, dificilmente conseguiria acompanhar o uso que os adolescentes fazem do Português, pois transformam-no até ficar irreconhecível, podendo, na opinião de alguns docentes, comprometer o futuro da Língua.

“Esta nova linguagem não tem regras, pois os adolescentes tanto usam o ‘x’ para substituir ‘ss’, ‘ch’ e ‘os’ como no lugar do ‘ç’, havendo palavras que ficam bastante diferentes das originais, como ‘tamx’ (estamos) ou ‘kuraxao’ (coração)”, contou Rosário Antunes, professora de Português.

Atualmente a exercer no Estabelecimento Vilamar (Funchal) – depois de ter passado por Castelo de Paiva, Lousã, Portalegre e pela Ilha de Porto Santo – a docente, de 29 anos, contou à agência Lusa que “uma palavra como ‘qualquer’ passou, na sua forma abreviada, a escrever-se ‘kk’, ao passo que ‘quando’ se tornou ‘kd'”.

Segundo outra docente, Conceição Pereira, professora de Biologia na Escola Secundária Dom Manuel Martins, em Setúbal, “a intenção dos miúdos será poupar letras mas as palavras acabam por se transformar num código que parece não fazer sentido, é muito difícil decifrá-lo”.

Rosário Antunes concorda e – para dar um exemplo concreto desta nova grafia – cedeu à Lusa uma mensagem escrita que lhe foi enviada por uma aluna.

“Oi xtora!!! ta td ben knsg? nox tamx kom mtx xaudadx xuax poix ja ñ temx akela xtora kida à k nux habituamx bjtx, nunka nux vamx exkexer d xi! Ass: xara”, lê-se no SMS enviado para o celular da docente.

Traduzindo: “Olá professora, Está tudo bem consigo? Nós estamos com muitas saudades suas, pois já não temos aquela professora querida a que nos habituamos. Beijos. Nunca nos vamos esquecer de si. Assinado: Sara”.

“É extraordinário como até o nome é alterado”, assinalou a professora, que considera algumas substituições “incompreensíveis”, questionando “a vantagem de escrever ‘kom’ em vez de ‘com’ ou ‘nox’ em vez de ‘nós'”.

Preocupada com o futuro da Língua Portuguesa, Rosário Antunes lamenta que os mais jovens estejam “a esquecer-se da pontuação, a escrever com maiúsculas indiscriminadamente, usando-as no meio e no fim das frases, e a abandonar cedilhas e acentos”.

“Como não os utilizam nas mensagens de celular, também não os põem quando escrevem à mão, pois deixaram de saber onde os colocar”, revelou à Lusa.

Renato Nunes, um colega de profissão que leciona História na Escola Básica Integrada dos Biscoitos, na Ilha Terceira, Açores, também se afirma “apreensivo” com a transformação do Português.

“A língua é um instrumento vivo e em constante mutação mas também é um bem valioso e a simplificação pode empobrecê-la, na medida em que afeta a sua diversidade”, declarou Renato Nunes, para quem esta tendência “vai agudizar-se no futuro”.

Para Rosário Antunes, que diz ter encontrado este cenário em todas as escolas por onde passou “e abrangendo alunos dos 10 aos 17 anos”, é possível encontrar exemplos desta nova escrita “até nos testes”.

“O pior é que há colegas de outras disciplinas que não estão para se maçar a corrigir o Português”, lamenta.

Uma atitude criticada por João Malaca Casteleiro, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

“Não posso admitir que um aluno substitua a palavra ‘que’ por um ‘k’ num trabalho ou nas respostas de um exame e que os docentes sejam permissivos, pois cabe-lhes zelar pela Língua Portuguesa. E refiro-me a todos os professores pois todos são, também, professores de Português”, sublinhou.

Afirmando que “há sempre o risco de essas formas de escrever corromperem o Português”, Malaca Casteleiro contou à Lusa que “quando uma pessoa aprende a escrever, aprende a ortografia de forma mecânica, intuitiva e memoriza uma imagem gráfica das palavras”.

“Por isso, se os alunos manifestam dúvidas quanto à grafia correta de um termo é porque – de tanto o escreverem alterado – na sua memória já se instalou a confusão”, explicou o lingüista.

Rosário Antunes acredita que o problema é precisamente esse.

“O desconhecimento da língua é tal que, quando o corretor ortográfico detecta um erro, os miúdos – em vez de verem o termo correto sugerido – adicionam a palavra errada ao dicionário do computador por pensarem que este é que não a reconhece”, contou.

As deficiências nesta área vão, porém, mais longe, “chegando ao ponto de muitos estudantes não conseguirem perceber que existem diferenças entre o Português de Portugal e o do Brasil”.

E qual é a reação dos alunos quando um professor faz a distinção entre a grafia certa e a errada, quando lhes explica que não é assim que se escreve determinada palavra?

Segundo a professora do Estabelecimento Vilamar, “a resposta é, invariavelmente, ‘mas assim percebe-se na mesma o que queremos dizer’. Para eles, é apenas isso que importa”.

HSF.

Lusa/fim

Movimento Nacional em Defesa da Língua Portuguesa

Nosso português não pode deixar de ser o idioma da família brasileira

Afonso Luciano Durand (*)

A pátria não é simplesmente o lugar em que nascemos, a cidade, a aldeia, o monte, o vale, assim dizia o acadêmico Brant Horta, nos idos de 1920. Defendia – como muitos poucos brasileiros que vivem hoje – ser a terra que amamos e que nos sentimos presos por laços indissolúveis que não se quebram com o tempo. E sobre a instrução, como professor, afirmava não existir maior herança. como capital mais seguro e rendoso do que os conhecimentos básicos para a cultura. É o maior legado que os pais podem deixar a seus filhos, pois a instrução lhes assegura a existência mais que os bens materiais.

A pátria começa no lar e estende-se pelos quarteirão. município, estado natal e, finalmente à nação. Portanto, a extensão de terra cujos habitantes estão sujeitos às mesmas leis e obrigações, falando sempre o mesmo IDIOMA, tem os mesmos interesses e as mesmas fronteiras, as mesmas tradições. Assim, o idioma constitui uma instrução sólida, intelectual, moral, religiosa e, antes de tudo, cívica.

Nestes momentos do fim do Século 20, como alguns brasileiros têm se manifestado, defendendo o vernáculo nativo, sem serem nativista ou xenofobistas, é uma obrigação de todas as autoridades dos Três Poderes da Nação. O nosso português genuíno deve e tem de ser defendido. A nossa linguagem pura e correta, no falar e no escrever, sem se deixar impressionar ou dominar por outros idiomas.

O ideal é prepararmos muitos grandíloquos. Brasileiros que tenham linguagem erguida, elevada, nobre, pomposa, muito eloqüente, mas falando uma vernaculidade com todos os seus caracteres especiais e legítimos: o português. Os verdadeiros nacionalistas têm o dever de eliminar o crescimento diário da xenomania. Uma xenofobia propriamente citando não aos povos estrangeiros, mas às suas línguas que estão fazendo desaparecer o nosso belíssimo idioma português.

O otimismo nacionalista começa a preocupar uma boa parte da população. Estudantes e professores, além de alguns poucos membros das comunidades, já compreendem que defender e lutar pelo nosso idioma é fundamental. São esperançosas as perspectivas de uma mudança nessa ameaça de estrangeirismo que compromete as instruções básicas dos escolares e que querem uma reconquista da língua pátria, fortalecendo os conhecimentos adquiridos nestes 500 anos.

Para relembrar, transcrevo o artigo 13 da Constituição da União de 5 de outubro de 1988, que diz: “A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil” e essa frase vem desde as primeiras cartas magnas, editadas desde 1824. Assim, a nossa língua-mãe tem que ser considerada e respeitada desde o seu surgimento, em nosso território. Que é próprio do país a que pertence ou região em que está. É inadiável a implantação do vernaculismo, como culto do vernáculo, isento do estrangeirismo, para que a geração presente e futura possam elevar o valor do nosso idioma e do nosso Brasil.

O abuso do estrangeirismo vem provocando repulsa em muitas regiões do Brasil. Há pouco tempo a escritora Lygia Faguntes Teles disse: “Uma extraordinária arma para impedir a colonização da língua portuguesa, por isso precisamos de algo para protegê-la”. E lutar.

Na Câmara dos Deputados o deputado federal paulista Aldo Rebelo (PCdoB) apresentou, em março, projeto que proíbe o uso abusivo de palavras estrangeiras em produtos, nos veículos de comunicações e na publicidade. Surgiram reações de agências de publicidade. Naquele mês, na Câmara dos Deputados, escritores, professores e jornalistas participaram de debates, afirmando que  “o idioma é um dos principais valores da identidade de um povo”. Campanhas serão realizadas com a finalidade de palavras estrangeiras serem revertidas, com programas de valorização da língua portuguesa.

Neste noticiário em defesa do nosso português, quero registrar uma recente portaria da Universidade de São Paulo sobre o processo de seleção de candidatos ao Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental. Entre as exigências, só podem fazer inscrição candidatos que concluíram curso de graduação e demonstrar proficiência em leitura da língua inglesa. Sobre o nosso idioma não faz nenhuma exigência. E assim, por omissão do Ministério da Educação e Cultura, a quem compete observar e regulamentar esse abuso de estrangeirismo, como diz um órgão de imprensa desta Capital, vem causando polêmica.

(
*) Afonso Luciano Durand é jornalista profissional e professor. O artigo foi publicado na Folha do Servidor Público, órgão oficial da Associação dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo, edição de julho/agosto de 2000, página 6.

O Futuro da Língua Portuguesa no Mundo

No dia 10 de maio, no Salão Nobre do Petit Trianon, A Academia Brasileira de Letras e a Embratel realizaram uma videoconferência para discutir o  “O Futuro da Língua Portuguesa no Mundo”.

O objetivo do evento foi enfatizar os laços históricos entre os dois Países, considerando as recentes comemorações, na ocasião, dos 500 anos do descobrimento do Brasil, reforçar a proposta de partilha da construção da língua comum portuguesa e marcar a efetiva entrada em operação do Cabo
Submarino de Fibras Ópticas Internacional Atlantis 2, resultado de um consórcio internacional, em que os dois países são signatários.

O ciclo de conferências “A Língua Portuguesa em debate”, que acontecceu como um prolongamento e aprofundamento das questões debatidas, deu continuidade às discussões da videoconferência.

CONCLUSÕES DA VIDEOCONFERÊNCIA:

1.. estimular a plena implantação do acordo ortográfico, com a efetiva participação diplomática dos governos dos 7 países lusófonos;

2.. adotar políticas agressivas de erradicação do analfabetismo nos 7 países lusófonos, como contribuição ao aumento significativo do espaço reservado à língua portuguesa, e ainda como medida de largo alcance para a emergência da cidadania nos mesmos países;

3.. adotar políticas destinadas a aprofundar a presença da língua portuguesa em Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, bem assim auxiliar, por todas as formas, ações tendentes a tornar a língua portuguesa mais presente em Timor Leste;

4.. estimular a criação de centros de estudos de língua portuguesa em países não lusófonos;

5.. reintroduzir o ensino do latim nos currículos escolares dos 7 países por maneira a melhor embasar o estudo da língua portuguesa;

6.. estimular a permuta de livros dos escritores dos diversos países lusófonos e estimular a participação crescente dos escritores em questão nas academias de letras, visando incrementar o intercâmbio lingüístico e literário entre os 7 países;

7.. estabelecer uma política cultural e educacional com o envio de professores de língua portuguesa e de literaturas dos 7 países às nações lusófonas;

8.. realizar encontros anuais dos 7 países, se possível, com a utilização dos recursos tecnológicos de videoconferências;

9.. fortalecer a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e o Instituto Internacional de Língua Portuguesa;

10.. elaborar uma antologia luso-brasileira.

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